Frédéric Bastiat

Quem foi Frédéric Bastiat, o economista e jornalista francês, expoente do pensamento liberal.

Claude-Frédéric Bastiat (mais conhecido como Frédéric Bastiat) nasceu na cidade de Bayonne, na França, em 1801 e foi um escritor, jornalista, economista e membro importante da Escola Liberal Francesa, famoso por sua defesa ao livre comércio, ao governo limitado e a propriedade e pela sua abordagem sarcástica, lógica e palpável em seus discursos. Durante a Revolução Francesa, sua família adquiriu uma propriedade na cidade próxima Mugron, onde Bastiat morou nos 3 anos entre o falecimento de sua mãe e o de seu pai, Pierre Bastiat. Órfão, foi recebido por seu avô paterno e sua tia e, aos 17 anos, começou a trabalhar no negócio de comércio exterior de seu tio – empresa que, inclusive, teve Pierre como sócio – onde pode ter desenvolvido a base para suas opiniões contrárias a restrições de comércio exterior e tarifas impostas sobre ele. Em 1825, o avô que cuidava de Bastiat faleceu e deixou-lhe a propriedade em Mugron, o que forneceu liberdade financeira para que ele estudasse sobre seus interesses intelectuais – que viraram seu foco após colocar em prática sua vontade de deixar os negócios do tio. 

Frédéric Bastiat

Dedicando-se a administrar sua propriedade e a estudar seus interesses em economia política (em especial, os trabalhos de Adam Smith e Jean-Baptiste Say), história, poesias, dentre outras áreas, Bastiat passou a ser ferrenho defensor do governo limitado, do respeito pela propriedade, da paz, da economia no governo e do livre comércio. Ele também fundou grupos de estudo e desenvolveu afinidade com a política, que virou parte importante de sua carreira. Após a Segunda Revolução Francesa, ele tornou-se politicamente ativo e foi eleito a Juiz da Paz de Mugron em 1831 e ao Conselho Geral de Landes no ano seguinte. Após a Revolução Francesa de 1848, Bastiat foi eleito à Assembleia Legislativa Nacional em 1848 e 1849, período durante o qual ele pôde difundir, dentro e fora da França, com enorme eficácia os princípios que defendia e, sobretudo, praticá-los.

Sua carreira pública na economia começou em 1844, com a publicação de seu primeiro artigo no Journal des Économistes. Durante ela ficou famoso por sua sagacidade, por seu humor e por suas explicações tangíveis e claras de teorias propostas por outros economistas. Nesse mesmo ano Bastiat escreveu um artigo em defesa do livre comércio que elevou sua reputação como escritor e economista. Inspirado pelo britânico Richard Cobden e seu ativismo contrário às leis de restrição à importação de grãos no Reino Unido (conhecidas como British Corn Laws), ele buscou difundir seus argumentos a favor do livre comércio pela França – e, posteriormente, levou-os a outros países europeus.

Destaca-se a parábola da petição dos fabricantes de velas, contida em seu livro Sofismos Econômicos: nela, Bastiat demonstra sua habilidade retórica e usa da sátira para ilustrar uma competição de um rival “estrangeiro” muito poderoso, que trabalha sob condições muito superiores às dos fabricantes de velas franceses da época e, consequentemente, pode dominar o mercado francês de luz com preços impossivelmente baixos – o Sol. Assim, nesse cenário, os fabricantes solicitam legislações para dificultar a penetração do Sol em seu mercado, como proibir a abertura de janelas, cortinas e portas e criar estruturas para garantir a cobertura de todas e quaisquer aberturas para o ceu. Com essa reductio ad absurdum do protecionismo, Bastiat posiciona-se fortemente contra o protecionismo e fornece uma base muito tangível para que outros abracem sua posição.

“A vida, a liberdade e a propriedade não existem pelo simples fato de os homens terem feito leis. Ao contrário, foi pelo fato de a vida, a liberdade e a propriedade existirem antes que os homens foram levados a fazer as leis.”

Frédéric Bastiat

Diversos de seus livros são grandes referências para o liberalismo e a economia, e influenciam pensadores desde a época da criação da Escola Austríaca de Economia até os tempos atuais. Sua argumentação sobre as consequências não planejadas (ou, em seus termos, despercebidas, “que não se vê”) influenciou Friedrich Hayek e Milton Friedman, e é uma base para a compreensão de que não se pode julgar políticas econômicas somente pelos seus efeitos imediatos, pois isso é não atentar para consequências futuras que podem causar efeitos negativos à sociedade e custar sua liberdade econômica. Sua defesa do livre comércio tem argumentos usados atualmente por economistas que também a praticam.

  • Em sua obra Sofismos Econômicos, Bastiat usa humor, sarcasmo, lógica, conceitos tangíveis e prosa ao tratar de conceitos de economia para leitores leigos.
  • Em seu livro A Lei, Bastiat discursa sobre como sociedades livres podem nascer de um sistema legal justo, sobre o papel do estado com base nas liberdades (à vida, à propriedade e à liberdade) inerentes aos indivíduos, e sobre como o papel da lei deve ser única e exclusivamente garantir a manutenção desses direitos – e deve ser um papel negativo, apenas de restringir a possibilidade de transgressão a essas liberdades.
  • Em O Que Se Vê e O Que Não Se Vê, o Autor introduz a noção de que há um custo inerente à não-realização de algo, que, embora muitas vezes despercebido, pode ser maior do que o preço em moeda que se paga. Esse conceito é tão importante que foi desenvolvido pelo economista austríaco Friedrich von Wieser ao cunhar o termo “custo de oportunidade”.

Vítima da tuberculose em 1850, enquanto estava em Roma difundindo e praticando seus ideais, Bastiat deixou um legado intelectual fortíssimo. A maioria de seus livros de grande impacto foi escrita ainda em seu último ano de vida e permanece atual, ainda referência para estudos modernos da economia, do papel do estado na sociedade e da liberdade. Ele não desenvolveu teorias econômicas formais próprias, mas foi capaz de discursar sobre o assunto de maneira tão singular que lhe permitiu atingir um público nunca antes impactado. Sua forma de argumentação e sua personalidade marcaram a economia e o liberalismo de forma perene, visto que Bastiat cavou parte do terreno sobre o qual os pilares de futuros estudos e teorias foram posteriormente construídos e preparou uma audiência para que pudessem ser melhor difundidos.

Por Breno Tanure