Homenagem à Friedrich Hayek

Homenagem à vida e obra de Friedrich Hayek feita por Fábio Rabelo, associado do IFL BH.

O dia 8 de maio é sempre lembrado com muito carinho pelo aniversário de um dos maiores economistas de todos os tempos e, como não, dos maiores filósofos contemporâneos.  Friedrich August von Hayek tem sua tamanha relevância na esfera econômica mundial, devido ao fato de ter conseguido entender e analisar a ciência econômica para além dos números, gráficos e regras matemáticas que costumam embasar as teorias econômicas.

Hayek nasceu na Áustria no ano de 1899 e foi uma mente brilhante que, embora seja mais conhecido por ser um grande economista, recebendo a mais alta e relevante premiação da área, o Prêmio Nobel da Economia em 1974, serviu de inspiração para inúmeros estudiosos e amantes da filosofia, psicologia, ciências sociais e direito. É considerado por muitos o maior filósofo da liberdade do século XX.

Hayek, assim com grandes nomes do liberalismo como Ludwig von Mises, Carl Menger e Böhn-Bawerk, fazia parte da Escola Austríaca de Economia, escola de pensamento econômico e filosófico que defende que a ciência econômica não se trata apenas da teoria das decisões interpessoais, mas das ações humanas em todo um processo complexo e dinâmico, impossível de ser mensurado ou previsto com precisão por sua natureza subjetiva. A Escola Austríaca defende a ordem espontânea do mercado e o livre comércio, com a restrição da influência do Estado sobre a economia, além da defender a vida, a liberdade e a propriedade privada. 

Sua obra mais famosa, O Caminho da Servidão, foi considerada um dos 100 livros que mais influenciaram a humanidade e foi lançado em 1944, data muito próxima à final da Segunda Guerra Mundial, fazendo com que as ideias presentes no livro fossem amplamente discutidas e disseminadas. Nele, Hayek aprofunda nos maiores problemas e perigos de uma sociedade comandada por regimes totalitários, uma vez que, principalmente nos centros acadêmicos ingleses, ideias socialistas e progressistas ganhavam cada vez mais força.

No Caminho da Servidão, o professor analisa que a sociedade da época estava cada vez mais se afastando das tradições e princípios morais cristãos, democráticos e do direito romano ocidental e essa destruição dos alicerces construídos ao longo dos séculos pelo ocidente fez com que ideias coletivistas fossem mais bem aceitas pela população, fazendo emergir governos totalitários. Hayek analisa que foi somente com o livre mercado que a sociedade conseguiu alcançar feitos econômicos e sociais jamais vistos, com avanços em áreas da medicina, além de fornecer mais conforto e segurança às pessoas, porém, e por consequência, esse crescimento no padrão de vida das pessoas evidenciou grandes mazelas na sociedade que as pessoas não estavam mais dispostas a tolerar e, com isso, surgiram as ideias de um estado mais paternalista e intervencionista.

Na obra, Hayek explica o porquê que os piores chegam ao poder, diferencia o individualismo e o coletivismo, desmitifica os argumentos de que a planificação é inevitável, além de exemplificar os motivos para os quais temos que temer um acúmulo de poder no estado. Hayek chega à conclusão de que é apenas em um sistema de livre mercado que é possível haver democracia, pois nos regimes de economia planificada, um seleto grupo de pessoas tenta, sem sucesso, organizar e alocar os recursos de toda uma economia e, sendo impossível prever e administrar toda a complexidade das ações humanas, acabam fracassando. Esse fracasso é sempre a justificativa governamental para o aumento de o seu próprio poder e, por isso, devemos defender o estado de “laissez faire”, em que o mercado deve funcionar livremente.

Durante a Primeira Guerra Mundial, lutou defendendo seu país de origem, a Áustria. Hayek tornou-se membro da Ordem dos Companheiros de Honra (Order of the Companions of Honour) por indicação da Rainha Elizabeth II e foi condecorado com a Medalha Presidencial da Liberdade dos Estados Unidos (US Presidential Medal of Freedom). Como professor, lecionou em grandes universidades da Europa e nos Estados Unidos, tendo sempre muita influência e respeito por onde ensinava. Um fato curioso é que Hayek visitou o Brasil três vezes entre os anos de 1977 e 1981, mas são poucos os registros dessa honrosa visita.

Friedrich von Hayek obteve notoriedade e fama internacional quando se envolveu em um debate político e econômico no início dos anos 30 com o famoso e aclamado economista John Maynard Kaynes. O inglês defendia a ideia de que o Estado conseguiria gerir e administrar a economia de forma assertiva e eficaz, além de defender que em momentos de depressão ou crise financeira, este mesmo Estado deveria financiar projetos com intuito de criar novos empregos, criando um círculo virtuoso de emprego que iria estimular a demanda. Por outro lado, Hayek defendia que o equilíbrio natural após uma recessão é mais assertivo, uma vez que o Estado não possui inteligência suficiente para alocar de melhor maneira os recursos que a própria economia conseguiria devido ao conhecimento disperso e complexo na sociedade formada pelas milhões de pessoas que nela se interagem.

Esse confronto intelectual entre Hayek e Kaynes é considerado por muitos como o maior duelo entre economistas do século XX. Algo pouco comentado é que ambos se respeitavam muito, apesar das calorosas discussões argumentativas. Hayek pretendia escrever um livro mostrando as incongruências da filosofia econômica de Kaynes, mas acabou se desmotivando quando percebeu que seu adversário não defendia suas próprias teorias da mesma forma que o fazia quando eles iniciaram os embates. De qualquer forma, o que se tem registrado desse grande combate de ideias já dá o merecido destaque à importância desse antagonismo na história da economia.

Friedrich August von Hayek terá para sempre uma honrosa menção nos livros de economia de todo o mundo pelo seu trabalho único e coerente na defesa da liberdade e é por isso que comemoramos essa data tão importante para nós liberais e libertários. Uma data que nos enche de esperança e reforça o significado de lutar pelos ideais mais nobres que foram defendidos com tanta proeza pelos gigantes que nos antecederam.

Abaixo, algumas frases memoráveis dessa grande inspiração para nós amantes e defensores da liberdade.

 “Quanto mais o Estado “planeja”, mais difícil se torna o planejamento para o indivíduo”.

“A liberdade não é apenas um valor em particular, é a fonte e condição da maioria dos valores morais. O que uma sociedade livre oferece ao indivíduo é muito mais do que ele seria capaz de fazer se apenas ele fosse livre”.

“É raro encontrar independência de espírito ou força de caráter entre aqueles que não confiam na sua capacidade de abrir caminho pelo próprio esforço”.

“A luta pela segurança tende a ser mais forte do que o amor à liberdade”.

“Uma sociedade que não reconhece que cada indivíduo tem seus próprios valores, aos quais tem o direito de seguir, não pode respeitar a dignidade do indivíduo e não consegue realmente conhecer a liberdade”.

“⁠Se os socialistas entendessem de economia, não seriam socialistas”.